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Exú Caveira

− Boa noite a todos. Como muitos aqui esperavam, não vim contar minha vivência física, vim lhes contar o quanto um espírito continua morto mesmo após ter alcançado o êxito. 
“Sou como vocês chamam, Exu, há muito tempo. Conquistei muitos méritos e há alguns anos comecei a trabalhar nos terreiros e em outros campos, enfim, anteriormente minha derrota ocorreu devido a mim mesmo, vi meu orgulho e vaidade aumentarem e meu ego se tornava cada vez maior. Eu era líder de uma grande falange e fazia grandes méritos quando incorporado. Yaos e médiuns faziam tudo o que eu pedia, eu adorava exigir oferendas das mais simples as mais grandiosas. Sim, eu era cada vez mais convencido, respeitado e principalmente temido e assim comecei a brincar com a Lei Maior: não havia nada que eu não fizesse, nada que eu não resolvesse. Assim, com muito ego e vaidade, fui perdendo os meus, minha falange outrora gigantesca agora se resumia a poucos, mas mesmo assim eu continuava me achando digno de ser chamado de R…

"O que menos importa aqui é quem eu sou."

− Sendo realmente quem sou expresso aqui a minha satisfação em poder falarmos abertamente, sem as amarras que os ritos religiosos nos fazem ter. Muitos de vocês esperavam por este momento e uma onda de expectativas e gasto de energias desnecessários foram feitos, porém se eu decepcioná-los não peço desculpas, pois quem criou expectativas além daquilo que realmente sou que viva com elas. Pois estas não são de responsabilidade minha, afinal criar expectativas encima de outro, seja ele espírito ou não, é como tentar controlar o vento e prendê-lo em uma garrafa: mais cedo ou mais tarde, por algum motivo, ele escapará e sairá do seu controle. 
“Fico admirado como vocês querem controlar tudo (e porque não dizer todos?), vocês esquecem que o tempo que está no controle e que assim como não se pode controlar o tempo, vocês não podem controlar tudo, não é mesmo? Ou pensam que antes de chegar aqui no degrau que estou hoje, tudo saiu exatamente como planejado? Haaaaa se assim fosse eu não estari…

Exú Capa Preta

− Admirado eu estou com a faculdade de usar a tecnologia e principalmente de escrever e ser notado, pois por muito tempo utilizei as mãos das pessoas sem que elas soubessem e hoje eu poderei me identificar, não que isso realmente importe, mas confesso que o meu coração deu espaço a uma ponta de amor próprio e quase não consigo me concentrar sabendo que minha hora chegou. Tive que regrar e maneirar no linguajar e principalmente na postura (não que eu já não tenha feito isso, pois não sou uma entidade exclusiva da Umbanda) e estou aqui agora sendo mais que apenas um espírito que fuma e bebe aos olhos de vocês, aliás aí está um problema porque infelizmente poucos de vocês vêem além disso. Quem sabe com o conhecimento do que acontece aqui os olhos e as consciências se abram e vão além do horizonte. O céu é o limite e terras inexploradas pela consciência esperam por vocês, a pergunta é: vocês estão preparados?
“Meu nome hoje é Exu Capa Preta e venho através dessas mãos e da pouca consciên…

Exú Sete Catacumbas

− Até que enfim chegou minha vez! Vou contar: eu estava ansioso por este dia, já que há muito tempo me preparo para isso. Vocês pensam que é apenas se aproximar do médium e sair mexendo os dedos ou pegar na caneta, quem dera fosse assim porque aí vocês teriam muito mais notícias daqui do que tens. Um trabalho assim envolve muito trabalho de ambos os lados. Em nosso lado há a preparação, já que a vida daqui para vocês é uma fantasia, ou um conto de fadas como vocês costumam chamar, e isso é uma ilusão. 
“Fiquem sabendo que aqui é sim maravilhoso de se viver, mas o maravilhoso não é apenas um jardim florido, campos com lírios e pessoas maravilhosas de branco andando de um lado para o outro, assim como vocês vem. O maravilhoso do lado de cá também tem muita lama, muita dor... O sofrimento até mesmo daqueles que não se encontram no fundo do poço (já que aqui não posso falar na merda) é visto como maravilhoso, isso porque aqui para nós que trabalhamos em prol da causa Dele tudo tem um por…

Boiadeiro Gentileiro

− Há hoje aqueles que ficaram confusos com os escritos, mas minha obrigação aqui realmente é criar a dúvida. Pois a dúvida é a semente da sabedoria, sábio é aquele que usa o que se aprende e, mesmo muito aprendendo, sente sede por aprender mais. E tolo é aquele que se delicia com o sabor de algo aprendido e acha que o pouco basta. 
“É certo que como vocês dizem: o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada. Porém fico impressionado o quanto vocês se apoiam em ditados tolos para justificarem a falta de capacidade de vocês de irem em busca de mais e de se melhorarem. Disso eu sei bem, pois meu trabalho por anos é observar a capacidade humana de achar desculpa para não fazer aquilo que se deve ser feito usando as dificuldades da carne para tudo. Se chove, reclama porque choveu, se faz sol reclama porque está calor demais, e se faz os dois: o tempo enlouqueceu. Desculpas não faltam para que o homem se acomode. E sim, muito mais da metade delas são apenas desculpas sem sentido para …

Joãozinho de Ogum

− Patacori Ogum! Meu nome é Joãozinho de Ogum, minha fé foi forjada no fogo ardente do amor por aquele que me deu a luz primeiro, nosso Deus, e depois o Preto Velho João Guiné e o general Henrique. Foram eles que me encontraram perdido no campo de batalha naquela noite em que me perdi daqueles que amo e deixei este mundo de vocês.
“Assim eu cheguei a cidade de Aruanda: em uma maca, segurando a mão de um homem de armadura medieval e capa azul, seus pés estavam sujos de lama e sua amadura arranhada pela batalha travada com os meus raptores, mas o sol batia em seu peito e ele brilhava como se fosse o próprio sol. E eu, um menino assustado, me sentia protegido. Depois de tudo que eu tinha passado, um soldado do Cristo, do próprio Jesus, havia ido me buscar e foi assim que fui levado ao centro médico e fiquei por muito tempo lá sendo tratado. ”
“Por uma decisão minha mantive meu períspirito em forma infantil, porque assim poderia depois de muito estudo me tornar um guerreiro igual o homem…

Erê Julinho

− Ô tio, me dá mel? Porque mel é o que eu mais gosto nessa terra, é uma delícia! Pois o mel representa tanta coisa linda, tio, desde os trabalhos das abelhas para fazer até vim parar dentro da minha barriga ele passa por tantas transformações! Assim sou eu, você e todos, tio! Passamos por tantas transformações e vamos continuar passando, já que esse é o nosso destino. Hoje meu nome é Julinho, tem dia que me chamo Dr. Júlio... e as pessoas ficam se perguntando “como uma criança pode fazer remédios?”, mas elas esquecem, né tio? Que antes de ser um Erê que trabalha na cura, na alegria, na transformação, eu sou um espírito e não é porque me apresento como criança que não posso trabalhar.

“Erê, tio, não é criança que brinca o tempo todo e fica fazendo brincadeira pra vocês se divertirem, somos mensageiros dos Orixás, trazemos a cura nas mãos. Eu estudo muito, todos os dias vou para a escola de Pai Joaquim e lá tenho professores. Vovó Cambina, João Guiné, o Caboclo Cobra Coral e até o cape…